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terça-feira, 19 de maio de 2009

RVCC, uma oportunidade de concluir o Secundário

Depoimento publicado na Gazeta de Lagoa

O processo RVCC foi uma excelente oportunidade para eu concluir o ensino secundário, por vários motivos:
- Para além da formação para descodificar o referencial, tive a possibilidade de gerir o meu próprio tempo para desenvolver os trabalhos, e marcar as entrevistas de acordo com a minha disponibilidade;
- Foi estimulante recordar e descrever as minhas situações de vida, com as respectivas competências adquiridas ao longo dos anos;
- Como é impossível elaborar os trabalhos sem recorrer a consultas, então relembrei e aprofundei matérias que tinha estudado, mas que já estavam esquecidas; adquiri novos conhecimentos, porque ao desenvolver um tema, desperta o interesse e a curiosidade de aprofundar, ou responder a um porquê. Desenvolvi a minha capacidade escrita e oral.
- A Equipa do RVCC foi excelente a todos os níveis, no relacionamento, na capacidade de comunicar e orientar, na disponibilidade de marcação de entrevistas, e no respectivo atendimento onde verifiquei da existência de pontualidade e responsabilidade, o que nos faz sentir na obrigação de procedermos do mesmo modo.
Para nós trabalhadores, o factor “TEMPO” é muito importante, pois é ele que gere a nossa vida. Neste processo o facto não estarmos sujeitos ao cumprimento de horários fixos diários, e o tempo de formação é curto e espaçado, dá-nos a possibilidade de nós próprios estabelecermos o nosso próprio horário para desenvolvimentos dos trabalhos, e marcação de entrevistas. Por este motivo e outros, recomendo, a todos os que possuem experiência profissional, e que têm o ensino secundário incompleto, que se inscrevam neste processo.
No final, senti-me orgulhosa do meu próprio trabalho, e perguntei-me a mim própria, como é que eu consegui desenvolver textos bem elaborados e organizados?

Muito Obrigado à equipa do RVCC!

Maria João Correia Rodrigues Calado

A Matemática e a nossa vida

Depoimento publicado na Gazeta de Lagoa


O Matemática é sinónimo de cálculos que formam a base das actividades no dia-a-dia, especialmente no mundo orientado para o negócio de hoje. A arte da adição é inseparável da vida. Usamos cálculos simples para compras e descontos rotineiros.
Quando se compra um carro é necessário seguir vários passos; é como se fosse seguir uma receita! Ao decorar uma casa, estamos a usar princípios matemáticos. As pessoas têm usado estes mesmos princípios durante centenas de anos, em todos os países e continentes.
Como é que a matemática pode ser tão Universal????
Primeiro os humanos não inventaram os conceitos matemáticos; descobriram-nos. A linguagem da matemática são números, não é Inglês, nem Alemão nem Russo. Se formos versados nesta linguagem dos números, isso pode ajudar-nos a tomar decisões importantes e ser bem sucedidos na execução das tarefas do dia-a-dia.
Seria óptimo que todas as pessoas tivessem consciência do quanto dependemos da matemática nas nossas vidas, o problema é que as pessoas não fazem nenhuma ideia que ela lá está. Uma maneira de mostrar a importância da Matemática podia passar por colocar uma etiqueta colorida em tudo o que utiliza a Matemática. Haveria uma etiqueta nos computadores, nos bilhetes de avião, no carro, nas canetas, no telefone, nos semáforos, nos filmes, no GPS, no cinema. Só por curiosidade a primeira longa-metragem de animação por computador, TOY STORY, permitiu a publicação de cerca de 20 artigos de investigação a propósito da Matemática envolvida. Basicamente tudo o que existe levaria uma etiqueta colorida por se basear na matemática até mesmo um simples vegetal… Sim actualmente, uma grande parte das plantas que podemos comprar são resultado de um programa de criação comercial longo e complicado no qual a Matemática é essencial. É pena, que a maioria das pessoas não veja a utilidade da matemática, e que muitas vezes, não parem um pouco para reflectir em que situações, pessoais e profissionais, utilizam a matemática no seu dia-a-dia. Grande parte do trabalho que realizo com os adultos em processo RVCC é isto mesmo, ajudá-los a perceber em que situações já utilizam estes conceitos. Sinto-me forçada a repetir a seguinte ideia: “os humanos não inventaram os conceitos matemáticos; descobriram-nos”. Descubra também em que situações a Matemática entrou na sua vida.

Ana Rosário Rodrigues – Formadora de Matemática para a Vida

RVCC a “ Oportunidade ” de todos os Portugueses

Artigo publicado na Gazeta de Lagoa


Frequento o “ Centro de Novas Oportunidades de Lagoa ”, no âmbito do Processo de: RVCC (Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências), o qual reconhece e certifica competências da população adulta activa, através da aprendizagens e experiências de trabalho e de vida, que foram adquiridas ao longo da vida. A demonstração de aptidões ou saber de cada pessoa individualmente em diferentes contextos no seu percurso de vida, atribuindo ao adulto a possibilidade de obtenção de uma certificação de equivalência ao ensino de Nível Básico (4º,6º e 9º ano) e Nível Secundário (12º ano de escolaridade).
É uma “OPORTUNIDADE” de grande relevância para a sociedade portuguesa, permite aumentar o nível de qualificação, é um incentivo à formação dos adultos activos, contribuindo para uma mais-valia no que respeita à empregabilidade. É uma forma diferente de aprendizagem, tornando-se um incentivo ao estudo e cativando com o método praticado.
A caminhada para a conclusão do objectivo, é feita de acordo com a disponibilidade de cada pessoa embora o empenho e dedicação seja uma condição determinante, para que a responsabilidade individual esteja presente de forma a demonstrar aos profissionais que nos apoiam e incentivam em cada sessão, e provar a nós próprios de que somos capazes.
Temos tudo ao nosso dispor para que possamo-nos tornar em profissionais com formação adequada em todas as áreas, é só ter vontade e determinação.
É evidente que todo o processo exige grande disponibilidade. Não creio que seja difícil, mas sim trabalhoso. As dificuldades que senti foram a interpretação do referencial, o qual me dificultou em perceber o que realmente é pretendido, mas com a ajuda dos técnicos do centro, a qual é imprescindível e a simpatia com que todos nos recebem, nos dá alento e força de vontade para que chegue rápido o dia mais esperado, a apresentação de todos os trabalhos elaborados, a Júri para a avaliação final.
Com a obtenção de equivalência ao 12ºano de escolaridade, penso ingressar num curso para tirar carteira profissional da minha área (Contabilidade). Esta oportunidade também me fez voltar a sonhar com o que outrora era supostamente impensável, ir para a universidade, quem sabe… e porque não!
Eu recomendo, divulgo e incentivo ao ensino das “Novas Oportunidades”, espero que a população adira a este conceito de estudo, o qual é a demonstração de todo o nosso saber que está em causa, nos credenciando para um futuro de oportunidades.

Carmen Barreto

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Depois de terminar o processo RVCC eu vou sentir-me mais apto, mais confiante, e mais feliz por concluir um projecto que há tanto ambicionava

Depoimento publicado no dia 24 de Abril na Gazeta de Lagoa
Na realidade a falta do 12º Ano é nos tempos de hoje uma insuficiência que todos deveriam tentar colmatar.
Sou realista, e devo dizer que também sentia esse vazio em mim, mas ao mesmo tempo, relembrava a minha idade, e algo me dizia que não valia a pena. Porém, não é apenas a idade que conta, mas também a componente do espírito jovem que me acompanha, assim como o interesse pelo conhecimento. Deste modo a vontade de chegar mais além foi mais forte.
Tentei sempre valorizar-me, e reconheço o quanto é importante e gratificante, elevarmos as nossas potencialidades como seres humanos. O bom senso, a humildade e respeito, são as chaves para uma vida mais agradável em qualquer lugar.
E foi assim, ao longo destes tempos, e destas paragens, que adquiri as competências que hoje tenho nas diversas áreas, sempre com vontade de ampliá-las, e adquirir novos conhecimentos para continuar. Pois, se a vida só pode ser compreendida olhando-se para trás, também só pode ser vivida olhando-se para a frente.
Cada vez mais, vivemos o conceito de globalidade, e consequentemente ao possuirmos competências para comunicar em diferentes idiomas, absorver outras culturas de maneira natural, ter boas maneiras, e representar de forma honesta o nosso próprio País, estamos a adquirir mais valias para as nossas profissões, assim como enquanto cidadãos.
É sabido que a competência diz respeito ao conjunto de conhecimentos, habilidades e experiências, que credenciam um profissional a exercer determinada função. Por isso, o gosto e o prazer que sempre tive em adquirir novas técnicas de serviço de mesa, levou-me a frequentar a Escola de Hotelaria onde tirei vários cursos. Gosto de estar sempre actualizado, e de conhecer até os pequenos pormenores, como por exemplo: a diferença entre despejar e servir o vinho no copo. São técnicas provenientes do curso de Escanção, e que hoje também estou habilitado a dar formação nesta área, pois também possuo o curso de formação de formadores promulgado pelo “I.E.F.P.” Instituto de Emprego e formação profissional. São pormenores que contribuem para a satisfação do cliente, e em Hotelaria, não é importante que o cliente entre satisfeito, mas sim, que saia satisfeito.
Existem sempre novas abordagens, assimilação de conhecimentos e habilidades, que contribuem para o eficiente desempenho do trabalho.
Reunidas as condições necessárias, como a disponibilidade e uma grande vontade de vencer, e aproveitando toda a energia que então me invadia, decidi inscrever-me. Tentei primeiro em Portimão, na área onde resido, mas apercebi-me que havia ali ainda alguma indecisão, e por esse facto decidi inscrever-me aqui em Lagoa neste Centro de Novas Oportunidades. Reconheço que esta foi uma atitude de Herói, pois só estes fazem o que acham que devem fazer naquele momento, independentemente do medo que sentem.
Ainda bem que assim aconteceu, pois ao inscrever-me aqui encontrei algo mais que também há muito tempo procurava, ou seja: no decorrer da minha inscrição o Sr. Reinaldo da secretaria, pessoa que muito considero, perguntou-me se tinha e-mail, e eu respondi sim tenho, mas é melhor não mencionar porque eu não domino muito bem essa área, então, o Sr. Reinaldo disse-me: se tem e-mail colocamo-lo, e se não domina muito bem esta área, posso informá-lo que vai começar para a semana um curso de formação e se quiser pode inscrever-se. Ora estava aqui encontrada a solução que há tanto tempo procurava, para um dos meus problemas.
Tratei imediatamente de tudo, e frequentei com prazer aquela formação, pois aprendi e desenvolvi conhecimentos muito importantes na área das novas tecnologias, que são de uma importância vital nos dias de hoje.
Na realidade, a opção por Lagoa foi benéfica em tudo, não esperei muito tempo para ser chamado, e principalmente, porque encontrei aqui uma equipa coesa, composta por pessoas certas no lugar certo, pessoas que se aplicam com dedicação no desempenho das funções que lhes são confiadas. Bem ajam a todos, e continuem assim, pois a forma de estar entre quem aprende e quem ensina, é o primeiro e mais importante degrau para se chegar ao conhecimento e à compreensão.
Devo dizer que era mais ou menos isto que eu esperava, foi muito interessante o desenvolvimento dos trabalhos, as pesquisas que fiz na Internet, assim como ao meu arquivo pessoal. Sem dúvida que tenho recordado e aprendido bastante. Deste modo estou convencido que depois de terminar o processo RVCC eu vou sentir-me mais apto, mais confiante, e mais feliz por concluir um projecto que há tanto ambicionava. É sem dúvida uma mais-valia, que nos coloca num patamar mais elevado, que nos dá mais credibilidade, e ao mesmo tempo sentimo-nos melhor preparados para agir localmente, e pensar melhor globalmente.

Avelino Pereira, Chefe de mesa - Delfim Pestana & Resort Hotel

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Depoimento de Julio Antão

Depoimento de Julio Antão publicado na Gazeta de Lagoa no passado dia 17 de Abril.


Ao ter ouvido falar do processo de R.V.C.C., não hesitei em inscrever-me pois foi sempre meu objectivo pessoal ter um grau de aprendizagem superior ao que tenho actualmente.
Apesar de trabalhar e ter uma carga horária elevada, não deixa de ser meu objectivo conseguir obter esta mais-valia, pois com as exigências governamentais, empresariais e sociais, o conhecimento nunca é demais para uma caminhada de sucesso.
Actualmente e já com uma parte substancial do processo concluída, chego à conclusão de que fiz uma boa opção, ao ter aderido a esta forma de concluir o 12.º ano. No meu caso pessoal já tinha tentado em tempos, através do ensino secundário acabar as disciplinas que me faltavam do 11.º ano e depois tentaria ir mais além, no entanto tive que optar pela minha actividade profissional já que a carga horária e a obrigação de assistir às aulas, tornavam estas duas actividades incompatíveis.
No meu ponto de vista, este processo só peca por ter um referencial muito complexo, num entanto o trabalho desenvolvido por parte dos profissionais, que nos encaminham e ajudam na sua desconstrução, é muito eficiente, o que facilita em grande parte a sua concretização.
À medida que avanço na elaboração deste processo formativo, fico cada vez mais interessado, pois a forma solicitada para a elaboração dos núcleos pretendidos, faz-nos regredir ao passado, exige que falemos da nossa experiências de vida, faz desenvolver capacidades de interpretação e argumentação, obriga-nos a pesquisar muito na internet, revistas, jornais, sobre temas actuais ou menos actuais, mas num entanto, sempre numa perspectiva muito interessante.
Dá-nos a oportunidade de nos podermos manifestar sobre certas actividades que possamos ter, de carisma cultural, desportivo ou simplesmente de lazer. Como eu desenvolvo alguns trabalhos de carácter artístico, desde a pintura, passando pela escultura, cerâmica, fotografia e design, e como em muitos desses trabalhos, costumo manifestar a minha preocupação constante pelo meio ambiente, encontrei através deste processo R.V.C.C., uma forma de ao falar deste tipo de problemas, poder encaixar imagens das minhas obras de arte, tornando assim o portefólio final, menos monótono e por sua vez, enriquecido em cor e imagem. Passo a anexar alguns desses trabalhos.



Recomendo a todas as pessoas que gostam de novas tecnologias, que não podem despender de tempo em horários fixos, visto por este processo, o adulto está sujeito a uma forma flexível de trabalho, podendo adaptar a sua concretização às suas conveniências laborais e pessoais, nunca pondo de parte a ambição, na obtenção dos seus objectivos, pois não se pense que este meio de conclusão do 12.º ano, é mais facilitado que outros modelos existentes.
Espero também com este objectivo concretizado, vir a ter um futuro mais facilitado, no meu enriquecimento cultural, pois com o nível secundário acabado poderei ter outras oportunidades que actualmente não tenho.
A ambição faz parte da mente humana, como humano que sou, não é meu objectivo continuar a exercer a profissão que tenho eternamente. Não quero com isto dizer que o RVCC vá resolver toda a minha ambição, mas penso que será sem dúvida um bom princípio para poder ambicionar “ir mais longe”.

Júlio Antão
http://www.julioantao.com/

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Concretização de um sonho...

Depoimento da Adulta Maria Amélia Urgeiro, publicado na Gazeta de Lagoa

Durante toda a minha vida profissional pouco ou nenhum tempo me sobrava para a realização pessoal. Era a casa, o marido, os filhos, o trabalho…
Após a reforma decidi que era tempo de pensar um pouco em mim mesma.
Depois de tomar conhecimento, pela Comunicação Social, da existência do Centro Novas Oportunidades em Lagoa resolvi concretizar um sonho muito antigo: concluir o nono ano.
Quando soube que ali as competências adquiridas ao longo da vida seriam validadas achei o máximo. Inscrevi-me e, com muito empenho, trabalho e dedicação terminei o ensino básico.
Porém outra porta se abriu: O CNO iniciava o nível secundário. Porque não tentar?
Inscrevi-me, e fiz o percurso que estava pré estabelecido. Foi com muita alegria, orgulho e realização pessoal que no passado dia doze de Março estava perante um júri para validar os créditos que iriam certificar-me com o nível secundário.
O balanço final é positivo. Adquiri a certificação. Adquiri novos amigos. O grupo era muito heterogéneo, várias idades, várias profissões. A troca de experiências também foi muito enriquecedora. Ganhei uma consciência cívica mais desperta para os problemas ambientais a necessidade de poupar no consumo de água e electricidade, os benefícios da reciclagem, a defesa do meio ambiente, … .
Também aprendi a conhecer-me melhor. Uma parte dos trabalhos era feita na primeira pessoa, o que me levou a uma retrospectiva da minha vida, na família, no trabalho e na sociedade. Fiquei surpresa com os ensinamentos que as vivências e as experiências porque passei nessas áreas me proporcionaram
Com o passar dos anos fui entendendo várias questões que me tinham sido incutidas e que havia interiorizado mecanicamente sem as compreender.
Consolidei assim, com compreensão e com razão, aprendizagens que tinha adquirido ao longo do tempo.
Incuti nos meus filhos o gosto pelo saber e o respeito pelo próximo.
Conclui que não passei pela vida. Aprendi com a vida e quero continuar a fazê-
-lo.
Considero-me hoje um ser humano mais atento aos problemas ambientais e às relações com os outros. Os temas dos trabalhos efectuados levaram-me a muitas leituras na internet e em livros e revistas. Através deles adquiri conhecimentos mais profundos em várias áreas. Este projecto poderia ter a sua continuidade com a criação de uma Universidade Sénior na cidade de Lagoa. Áreas como a saúde, a história do País, do Distrito e do Concelho, a informática, as artes, etc, teriam, possivelmente, um grande interesse para a população desta faixa etária que, muitas vezes, não têm possibilidade de conviver com outras pessoas fora do seu ambiente familiar.
Estou ciente, por mim própria falo, que esse convívio e conhecimentos iriam enriquecer, os intervenientes e torná-los mais produtivos e realizados.

Maria Amélia Urgeiro (61 anos de idade)

Aprendemos com a Vida…Percebemo-lo no Processo RVCC

Depoimento da Coordenadora do CNO, Ana Cordas, publicado na Gazeta de Lagoa


"Não há saber mais ou saber menos. Há saberes diferentes." Paulo Freire

A frase que introduzo, mostra o que pretendo transmitir sobre o Processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências. O Verdadeiro Processo RVCC, é sem dúvida algo de extraordinário que pretende reconhecer a individualidade de cada pessoa, com base nas competências adquiridas ao longo do seu percurso de vida, como tal, não é em vão que trabalhamos com a história de vida de casa indivíduo.
Deste modo, e explicitando as etapas fundamentais do Processo RVCC procuro dar conhecer a essência e a importância dos Processos de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências, na vida dos indivíduos.
O Reconhecimento é a fase que, consiste na identificação, por parte do adulto, dos saberes e competências adquiridos ao longo da vida, através de um conjunto de actividades assentes na metodologia de balanço de competências e na utilização de instrumentos, diversificados, que permitem ao adulto confrontar a própria experiência com o referencial de competências chave e evidenciar as aprendizagens anteriormente adquiridas. Aprendizagens estas, obtidas em diversos contextos, formais, não formais e informais, nomeadamente através de experiências/vivências em contexto profissional, formativo, pessoal, familiar, associativo, entre outros.
É de salientar, aqui, estas questões ligadas às aprendizagens formais, não formais e informais, pois reforçam a potencialidade da aprendizagem ao longo da vida e canonizam uma pluralidade de espaços de aprendizagens, que vão para além da escola formal. No Processo RVCC, o adulto reconhece a sua história de vida/autobiografia como algo que lhe trouxe competências, a diversos níveis, nomeadamente: profissionais, escolares, formativas, sociais, entre outras. Isto porque, cada pessoa é o que é hoje através daquilo que foi o seu percurso de vida, a sua história de vida.
Nesta fase, de reconhecimento, o adulto inicia a construção do PRA (Portefólio Reflexivo de Aprendizagens), um documento que se articula e decorre da fase de balanço de competências. Pode-se considerar como uma compilação de documentos de várias naturezas, como por exemplo fotografias, contratos de trabalho, certificados, diplomas, documentos comprovativos da experiência profissional, social, entre os mais diversos, de acordo com a vivência de cada adulto, dado que, se pretende que seja único e individualizado. O portefólio procura retratar/documentar a aprendizagem e o percurso de aquisição de competências de cada adulto. Poderíamos descrevê-lo através de algumas palavras-chave: compilar, seleccionar, coleccionar, reflectir, relacionar, procurar, memória, descoberta, redescoberta…
A fase de Reconhecimento é das mais gratificantes de todo este processo de descoberta, senão redescoberta de cada adulto, enquanto actor do mesmo, pois através da abordagem autobiográfica reforçam-se as potencialidades de cada indivíduo, fá-los acreditar em si próprios e na mudança, o que consequentemente promove a auto-confiança e leva a que sejam traçados projectos futuros, pois os adultos ao estarem mais conscientes daquilo que são capazes fazem-no transparecer ao “olhar” para o futuro, seja ele a curto, médio ou longo prazo, com um objectivo, nunca anteriormente considerado.
A Validação de competências é o momento que se segue, e consiste na avaliação das competências e na confrontação das evidências apresentadas, pelo adulto, em correspondência com o referencial de competências chave. Como o próprio nome indica, consiste no momento de validar as competências evidenciadas pelo adulto, em conformidade com o referencial. Este momento é efectuado em conjunto com o profissional de RVC e os formadores das respectivas áreas, que acompanham o adulto. Nesta fase, podem ser identificadas necessidades de formação, para as quais o adulto será encaminhado. Estas necessidades podem ser colmatadas pelos formadores do Centro, desde que não ultrapassem as 50h de formação para cada adulto, designadas de formação complementar. Caso sejam necessárias mais do que as 50h, será definido um percurso formativo, específico, exterior ao Centro Novas Oportunidades, e o adulto será encaminhado, de forma a concretizar o seu percurso e até mesmo os seus projectos futuros.
Para que estes encaminhamentos sejam exequíveis e vão ao encontro das reais necessidades dos adultos, o Centro Novas Oportunidades, estabelece parcerias com diversas entidades de formação, bem como Escolas Básicas e Secundárias da região Algarvia, fomentando a importância do trabalho em rede.
A Certificação de competências, que culmina com uma sessão de Júri, onde o adulto obtém a certificação sempre que lhe é reconhecido, ter adquirido as competências em conformidade com o referencial de competências chave. Assim, percebe-se, o verdadeiro significado das siglas RVCC, Reconhecimento, Validação e finalmente a Certificação das Competências.
A Sessão de Júri é pública e é constituída pelo Profissional de RVC e pelos formadores das respectivas áreas de competência, que acompanharam o adulto durante todo o seu percurso no Processo de Reconhecimento e Validação de Competências, bem como por um elemento externo ao Centro Novas Oportunidades, designado de Avaliador Externo.
O Avaliador Externo é alguém que através de uma candidatura formalizada, e após análise da mesma é acreditado pela entidade que tutela os Centros Novas Oportunidades, a ANQ (Agência Nacional para a Qualificação).
A certificação permite a obtenção de um nível de escolaridade ou de qualificação que confere, neste caso, um certificado de qualificação e, sempre que se obtém um nível de escolaridade concede a emissão de um diploma de qualificação.
Em jeito de conclusão, gostaria, ainda, de partilhar com os leitores um poema que reflecte o que acima descrevi, bem como deixar um incentivo para não desistirem dos vossos sonhos. Nunca é tarde para aprender, nunca é tarde para percebermos o quão bonita é a nossa história de vida e o quanto aprendemos com ela!

Ana Cordas

Experiência de vida num soneto

Nasci aqui, de onde me vejo,
Cresci amargo, curvado pelo trabalho,
De onde me conheço, e transpareço
A pessoa que sou, e que antevejo

Futuro ausente, fizeste-me crer
Histórias de vida, me fizeste lembrar,
E hoje vou recordar, e realizar
Um sonho de vida, que pensava não erguer.

Enquanto Actor desta vida, Sonhei
Contar um dia a minha experiência
Ser quem Eu sou, sentir o que Sei

E fizeram de mim um Rei
Com o produto da minha vivência
De Ser o que Sou, e de saber o que Sei.

Nuno Cordas

sexta-feira, 27 de março de 2009

Depoimento de Sofia Góis

Depoimento publicado no Jornal Gazeta de Lagoa no dia 20 de Março


O meu nome é Sofia, tenho 32 anos e conclui o processo RVCC com equivalência ao 9º ano no dia 18 de Fevereiro.
Queria aqui deixar o meu testemunho de forma a incentivar quem não teve oportunidade, tal como eu, de se escolarizar minimamente devido a este ou aquele motivo. Por isso agarrei esta oportunidade de poder Reconhecer, Validar e Certificar as minhas Competências adquiridas ao longo dos anos.
O Centro Novas Oportunidades de Lagoa dispõe de profissionais e formadores muito qualificados e dedicados a ajudar nesta tão importante conquista pessoal dos adultos inscritos, oferecendo assistência e acesso informático com um amplo horário, facilitando o pós- laboral.
Fazendo o balanço, chego à conclusão de que aprendi muito ao longo do processo e de que tinha mais conhecimentos do que imaginara, saindo mais segura e auto confiante das minhas capacidades como mais preparada para o mercado de trabalho que se tornou tão competitivo.
Agora que terminei, sinto um " bichinho" que me diz para continuar a me instruir, pois é tão compensador!

Sofia Góis

De estagiária a Profissional de Reconhecimento e Validação de Competências (RVC)

Depoimento da Profissional de RVC Daniela Luz, publicado na Gazeta de Lagoa no dia 20 de Março

Iniciei o meu estágio curricular do curso de Educação Social no Centro Novas Oportunidades da Escola Superior de Educação da Universidade do Algarve (CNO/ESE-UALG), sedeado em Lagoa, no ano lectivo de 2007/08. Escolhi este local de práticas, não só pelo meu curso apresentar uma forte componente na área da Educação de Adultos, mas também pelo fascínio e desafio pela área, pelo querer aprender mais, e por saber que a teoria e que os verdadeiros princípios da Educação de Adultos aqui nesta instituição são postos em prática. De facto, o estágio que fiz juntamente com as minhas colegas Ana Viegas e Lara Serafim, veio-me a dar um conhecimento abrangente acerca da realidade dos Centros Novas Oportunidades, desde as boa práticas às fragilidades inerentes a centros com esta tipologia. Aliás, não só com o CNO/ESE-UALG mas com outras instituições com quem estabelecemos parcerias, sendo esta partilha muito enriquecedora.
Iniciei as minhas funções como Profissional de RVC em Setembro de 2008. Apesar de estudarmos o Processo Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC) em algumas disciplinas do curso, considero que o estágio valeu-me de muito, pois quando vim para esta instituição a realidade já me era familiar e conhecia o funcionamento e todo método de trabalho, inclusive o lidar com este tipo de público. No entanto, vim exercer uma nova função que apenas conhecia na teoria e assim um novo desafio se aproximava…
Os adultos que ficaram à minha responsabilidade, quer de nível básico quer de nível secundário, já se encontravam em processo, sendo mais outro desafio, conhecer as histórias de vida pessoal de cada um para poder trabalhar com eles o referencial e ir ao encontro das necessidades, gostos e motivações. Visto que alguns adultos já iam a meio do processo foi necessário algum esforço para me apropriar do trabalho de cada um, pois trata-se de um acompanhamento muito personalizado. É fulcral levar em consideração a história e experiência de vida da pessoa que está sentada à nossa frente.
Efectivamente é um trabalho apaixonante e que me cativa cada vez mais, em que todos os dias os adultos têm algo para me ensinar. É óptimo dar ênfase e ajudar a encontrar sentido para os itinerários de cada um. É um trabalho muito exigente que requer muita dedicação, uma entrega! É bastante compensador podermos observarmos as evoluções de um adulto desde que inicia o processo até que o termina. Melhor ainda é vê-los com vontade de mais e mais… sendo bastante importante incentivarmos à continuação do percurso formativo e outros projectos de vida que estejam relacionados com a pessoa em questão. Mas ao fim e ao cabo não são só os adultos que evoluem neste processo, nós técnicos, também crescemos todos os dias um bocadinho…
Para além de tudo, este tipo de processo requer um bom trabalho de equipa e espírito para trabalhar em grupo e não posso deixar de mencionar que não é só com os adultos que estou a aprender e a partilhar. Muito obrigada a toda a equipa do CNO/ESE pela partilha!
Deixo-vos então, uma frase de Agostinho da Silva, “Todo o ser humano é diferente de mim e único no universo; não sou eu, por conseguinte, que tem de reflectir por ele, não sou eu quem sabe o que é melhor para ele, não sou eu quem tem de traçar o caminho; com ele só tenho o direito, que é ao mesmo tempo um dever: o de ajudar a ser ele próprio.”


Daniela Luz, Profissional de RVC